Crianças não são adultos em miniatura. E nem todas as crianças são iguais. Assim como as crianças va riam em idade, sexo e circunstâncias sociais, elas também variam em seus modos característicos de pensar, sentir e se comportar. Ao conduzir sessões de terapia com crianças, com freqüência é necessário adaptar nossos tratamentos às características da criança individual. Em particular, é necessário ajustar nossa terapia ao nível de desenvolvimento da criança e encontrar as crianças dentro do seu nível de desenvolvimento - cognitivo, social e emocional. Porém, isso é mais fácil de falar do que de fazer. Com muita freqüência, abordamos o tratamento de crianças como se elas fossem todas cortadas do mesmo tecido ou saídas da mesma "fòrma de bolo" e ignoramos aspectos desenvolvimentais e contextuais importantes das crianças individuais com as quais estamos trabalhando. Tal prática tende a resultar em insatisfação das crianças e de suas famílias com o tratamento e, em muitos casos, num tratamento tedioso, se não ineficiente. Nesta era de prestação de contas e de tratamentos com base empírica, precisamos fazer mais para estabelecer tratamentos de fato apropriados em termos desenvolvimentais que sejam também altamente eficazes. A tarefa, porém, é difícil.
Neste compêndio de atividades criativas para uso com crianças e adolescentes, as autoras apresentam uma varie- dade de ações terapéuticas destinadas a facilitar um pouco a nossa tarefa de definir e usar estratégias de tratamento desenvolvimentalmente apropriadas. Os jogos e atividades sugeridos são intuitivamente atraentes e desenvolvimen- talmente sensíveis, tendo sido desenvolvidos na linha de frente da própria prática clínica das autoras. Porém, ainda não foram mais largamente estudados para provar que de fato melhorem os resultados do tratamento. Esse trabalho ainda está por ser feito. É importante que Angela Hobday e Kate Ollier tenham nos fornecido o grão para o moinho terapêutico e, agora, caberá a nós avaliar o uso dessas atividades e determinar o seu valor empírico.
Esta coleção de atividades criativas tem algo para terapeutas de todas as linhas teóricas e para crianças de todas as idades, e cada terapeuta provavelmente encontrará as suas próprias atividades favoritas. Como terapeuta cognitivo-comportamental, senti-me atraído por várias atividades, entre elas "Espirais" (p. 76), "Cobras desagradáveis e escadas desejáveis" (p. 85), "Pensamento claro" (p. 96), "Conversa consigo mesmo" (p. 104) e "A batalha" (p. 93), para mencionar algumas. Com esses títulos tão sugestivos, o leitor pode começar a imaginar a criatividade e a perspicácia clínica que entraram no desenvolvimento dessas atividades variadas e interessantes.
Uma palavra de advertência. Em sua Introdução, Hobday e Ollier nos alertam para que não nos apoiemos totalmente neste livro. Elas afirmam que terapia criativa e atividades interessantes não resolverão os problemas da criança a menos que toda a abordagem terapêutica seja baseada em fundações boas e sólidas. Concordo totalmente. Este livro deve ser visto como um recurso. Minha opinião é de que ele, provavelmente, auxiliará tratamentos de base empírica, mas não os substituirá. É uma contribuição bem-vinda para o nosso arsenal terapêutico.